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Blogues, blogueiros… e plagiadores

Nem só de tradução/interpretação vive o tradutor ou intérprete profissional.

Nos dias de hoje, qualquer profissional que se preze precisa investir parte do seu tempo de trabalho em atividades que não são o seu ofício em si, e certamente não são diretamente remuneradas. Isto é, há coisas – além de traduzir ou interpretar – que um profissional que trabalha por sua própria conta precisa fazer para promover suas qualidades e fazê-las conhecer no mercado – e isto pode gerar um retorno lucrativo na forma de maior captação de clientes, por exemplo, ou consolidação de uma reputação entre os colegas e diversos concorrentes.

Uma iniciativa bem visível é a criação de um site. Evidentemente, vemos por aí exércitos de sites web padronizados impessoais em que a mesma ladainha comercial (expressões batidas, promessas exageradas e sensacionalistas, etc.) é repetida; não raro, é o caso de agências, aliás.

Uma das coisas mais generosas que bons profissionais fazem para se fazer conhecer, dar visibilidade ao seu estilo e comunicar seu pensamento de forma verdadeiramente humana é o fato de manterem ativos blogues onde costumam difundir ideias, opinar sobre determinados assuntos profissionais, esclarecer dúvidas ou propiciar um debate enriquecedor.

Digo que é generoso, por que o profissional o faz a troco de nada. Nada além de ter uma chance de ganhar mais consideração por parte do leitor, e muitas vezes com simples intuito de ajudar a solucionar algum problema, orientar um novato na área ou combater o espírito retrógrado de ocultação de informações, que infelizmente ocorre por vezes nesta e noutras profissões. Qualquer um pode, por exemplo, visitar o blog de Danilo Nogueira, sem nunca ter que pagar pela montanha de conhecimento que poderá encontrar lá, livremente disponível para que qualquer um se beneficie e aprenda.

É uma iniciativa que toma tempo, requer elaboração para que o material disponibilizado seja de qualidade e bom conteúdo, etc. E de se surpreender que até esta iniciativa seja alvo de uma praga que é o plágio.

Luciano Monteiro, colega e amigo profissional que não cansarei de citar aqui, amargou recentemente o desprazer de descobrir que o conteúdo de um texto seu estava sendo utilizado para angariar clientes e prestígio para outros. E qual não foi sua surpresa de verificar que o desmerecido usurpador o fez não apenas com seu texto – sem ao menos mencionar a autoria, como também com o de numerosos respeitados profissionais; solicitado, furtou-se à responsabilidade de respeitar o direito do autor de exigir a remoção do conteúdo.

Sim: quando uma pessoa publica um texto na internet, ela assume que este texto está disponível para que todos leiam, aprendam o que puderem aprender e, inclusive, o citem em seus próprios instrumentos de divulgação de conteúdo. Mas é ética da mais elementar citar citando, isto é citar mencionando quem é o autor daquele pensamento e conteúdo. Além do mais, a mim parece que a nobreza estaria em saber citar (respeitando a os princípios éticos que evoquei acima) para agregar valor a uma ideia sua.

Não: ninguém tem o direito de impunemente publicar ideias e textos de outrem como se fossem seus, com o descarado intuito de angariar impropriamente o prestígio e clientes que eram merecidamente deste outrem. Mesmo se estes benefícios só poderiam ser esperados indiretamente, é o verdadeiro autor que merece a chance de conquistá-los.

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