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	<title>Leonardo Milani &#187; notícias</title>
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	<description>Traduções para português e francês</description>
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		<title>Resultados pesquisa SFT 2009</title>
		<link>http://milanitraducao.com/2010/10/13/resultados-pesquisa-sft-2009/</link>
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		<pubDate>Wed, 13 Oct 2010 06:31:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[notícias]]></category>
		<category><![CDATA[profissão]]></category>
		<category><![CDATA[tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabam de ser publicados os resultados da pesquisa conduzida pela SFT (Société Française de Traducteurs) no início de 2010 sobre o exercício 2009. Você pode baixar o relatório completo aqui, bem como o de 2008. Além das tabelas de tarifas por par de língua ao final do relatório, algumas coisas chamaram minha atenção no resultado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabam de ser publicados os resultados da pesquisa conduzida pela SFT (Société Française de Traducteurs) no início de 2010 sobre o exercício 2009. Você pode baixar o relatório completo <a href="http://www.sft.fr/tarif-de-traduction.html">aqui</a>, bem como o de 2008.</p>
<p>Além das tabelas de tarifas por par de língua ao final do relatório, algumas coisas chamaram minha atenção no resultado do questionário (qualquer soma de porcentagem que exceda 100% significa que era possível mais de uma resposta):</p>
<h2><strong>1) Perfil dos entrevistados</strong></h2>
<p>-77% dos entrevistados são <span style="text-decoration: underline;">mulheres</span>. Fortíssima e incontestável participação feminina na categoria profissional;</p>
<p>-<span style="text-decoration: underline;">78% dos entrevistados residem ou atuam na França</span>. É importante relativizar os resultados encontrados para o mercado francês, embora traga bons ensinamentos.</p>
<p>-a quantidade de <span style="text-decoration: underline;">pessoas em início de carreira</span> é bem menor do que na pesquisa de 2008  (redução de 25% para 18% de entrevistados com menos de 5 anos de experiência);</p>
<p>-mais de um terço (34%) dos respondentes iniciou sua carreira profissional entre 25 e 29 anos (é meu caso);</p>
<p>-40% dos entrevistados não realizou <span style="text-decoration: underline;">estudos específicos em tradução ou  interpretação</span> e, para aqueles que os cursaram, tais estudos não proporcionam acesso a tarifas mais  elevadas;</p>
<p>-um terço dos tradutores assalariados exerce <span style="text-decoration: underline;">outra atividade além do contrato de trabalho</span>;</p>
<p>-<span style="text-decoration: underline;">quantidade de pares de idiomas</span> com os quais os entrevistados  trabalham: 1 (34%), 2 (42%), 3 (16%), 4 (5%) e 5 ou mais (3%).  Ao que  parece, dada a dificuldade de se dominar uma língua, os tradutores entendem que trabalhar com  muitos pares de idiomas pode transmitir menos credibilidade para os  clientes potenciais e preferem anunciar excelência em poucos pares;</p>
<p>-dentre as <span style="text-decoration: underline;">prestações oferecidas, além da tradução</span>, grande   destaque para a revisão (com comparação em relação ao original ou não),   oferta que aumento de 12% em relação ao ano passado. É significativo e   nos faz pensar sobre a reorganização do fluxo de trabalho (a revisão   parece tomar um espaço cada vez mais importante&#8230;).</p>
<p>-2% dos entrevistados empregam <span style="text-decoration: underline;">assalariados</span>&#8230;</p>
<h2><strong>2) Procedimentos adotados:</strong></h2>
<p>-<span style="text-decoration: underline;">94% (!!) dos entrevistados fatura tradução por palavra</span>. É uma  tendência bem majoritária. 86% dos entrevistados fatura a palavra de   origem (no texto a traduzir). Para aqueles (13%) que ainda trabalham com   lauda, a grande maioria (11% dos entrevistados) trabalha com a medida   de 1500 caracteres com espaços. Aqui no Brasil esta  medida não parece  ser a mais adotada (acredito que a lauda de 1000 caracteres sem espaços  seja a mais usual);</p>
<p>-somente 38% exige <span style="text-decoration: underline;">confirmação do pedido</span> através de PO (Purchase Order) ou contrato antes de iniciar o trabalho; 36% dos entrevistados trabalha pouco ou nunca com PO (Purchase Orders). É inquietante, e eu realmente achava que este seria um quadro brasileiro, mais do ue francês;</p>
<p>-a maioria (53%) não dá <span style="text-decoration: underline;">desconto por grandes volumes de trabalho</span> (por  exemplo, ao fornecer orçamento para traduzir um livro inteiro);</p>
<p>-68% dos entrevistados dá <span style="text-decoration: underline;">descontos degressivos por segmentos repetidos ou similares</span> (calculados através da análise de alguma ferramenta de tradução assistida por  computador &#8211; CAT tool);</p>
<p>-71% trabalha com alguma <span style="text-decoration: underline;">tarifa mínima;</span></p>
<p>-pouquíssimos são aqueles que trabalham com <span style="text-decoration: underline;">adiantamento</span> (78% não pedem nunca ou quase nunca adiantamento);</p>
<p>-<span style="text-decoration: underline;">cobranças extra</span>: 74% dos entrevistados aplica tarifa de  urgência; 49% aplica tarifa adicional por trabalhar a noite e 50% por  trabalhar no final-de-semana; 47% cobra mais se houver dificuldade  técnica especial (terminologia, etc.). Porém, poucos cobram algum extra  quando se trata de: má redação no original, original emn formato  powerpoint, adoção de nomenclatura, original impresso sem versão  eletrônica, texto ilegível (por exemplo no caso de digitalização OCR  ruim), formatos especiais de arquivos a traduzir (htm, xml, php, exell, &#8230; etc.) e processamento de imagens.</p>
<h2>3) Ferramentas e técnicas:</h2>
<p>-<span style="text-decoration: underline;">69% dos entrevistados utiliza uma ferramenta de tradução assistida por computador</span> (CAT tools). Os dois mais usados são Wordfast (20% dos usuários em 2008; 32% em 2009) e Trados (45% em 2008; 67% em 2009, no SDL-Trados). Houve um aumento incrível da quantidade de programas desta família (7 programas listados em  2008, passando para 26 programas em 2009!)</p>
<p>-mais da metade dos entrevistados não realizou nenhum <span style="text-decoration: underline;">treinamento ou curso</span> na área de tradução em 2009. Foi também o caso em 2008.</p>
<p>Para avaliar tarifas, a SFT cruzou as tarifas informadas com dados diversos, obtendo as seguintes correlações:</p>
<p>-<span style="text-decoration: underline;">por horas semanais trabalhadas</span>: quem trabalha entre 30 e 59 horas cobra a melhor tarifa. Como era de se esperar, quem cobra menos acaba sendo quem trabalha demais (70 a 90 horas por semana). E quem trabalha pouco (menos de 30 horas semanais) também cobra menos, o que representa talvez uma fatia de profissionais que está buscando mais trabalho e, por este motivo, reduzindo tarifas para gerar atratividade.</p>
<p>-<span style="text-decoration: underline;">por faixa etária</span>: a idade parece acarretar maiores tarifas</p>
<p>-<span style="text-decoration: underline;">por tempo de experiência</span>: quanto maior a experiência, maior a tarifa cobrada</p>
<p>-<span style="text-decoration: underline;">por treinamentos e cursos realizados</span>: realizar cursos ou treinamentos leva o profissional a aumentar a tarifa</p>
<p>-a renda anual é maior entre aqueles que não fizeram estudos de tradução e/ou interpretação&#8230;  <img src='http://milanitraducao.com/wp-includes/images/smilies/icon_neutral.gif' alt=':-|' class='wp-smiley' />  .. curioso, não?</p>
<p>Quem quiser baixar o relatório completo, com todos os dados, explicações e gráficos, pode fazê-lo <a href="http://www.sft.fr/tarif-de-traduction.html">aqui</a>.</p>
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		<title>A discussão lingüística no discurso de Lewandovski na grande polêmica da Lei Ficha Limpa (LC 135/2010)</title>
		<link>http://milanitraducao.com/2010/09/29/a-discussao-semantica-no-discurso-de-lewandovski-na-grande-polemica-da-lei-ficha-limpa-lc-1352010/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Sep 2010 18:25:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[artigos]]></category>
		<category><![CDATA[notícias]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitos devem ter acompanhado o desenrolar surpreendente da entrada em vigor e aplicação da Lei Complementar 135 de 2010 (LC 135/2010), comumente apelidada Ficha Limpa, no que tange o recurso apresentado pelo candidato Roriz, candidato a governador do DF (Brasília), de desprovimento da representação aberta pelo PSOL que o tornaria inelegível para as eleições de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos devem ter acompanhado o desenrolar surpreendente da entrada em vigor e aplicação da Lei Complementar 135 de 2010 (LC 135/2010), comumente apelidada Ficha Limpa, no que tange o recurso apresentado pelo candidato Roriz, candidato a governador do DF (Brasília), de desprovimento da representação aberta pelo PSOL que o tornaria inelegível para as eleições de 2010 nos critérios da supra mencionada LC.</p>
<p>Para aqueles que nao acompanharam, um breve resumo em um parágrafo:</p>
<p>Em 2007, Roriz renunciou ao cargo de senador que ocupava para escapar de processo por quebra de decoro parlamentar a que responderia no âmbito da Operação Aquarela, pela partilha de 2,2 milhões Reais provenientes do BRB com o diretor deste banco e o diretor da Gol (ele alegou que o dinheiro era um &#8220;empréstimo&#8221; para comprar uma bezerra, mas informações posteriores indicam que ele teria usado esse dinheiro para comprar juizes do TRE&#8230;) &#8211; leia mais a respeito <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u309545.shtml">aqui</a>. Com a entrada em vigor da LC 135/2010, o PSOL apresentou uma representação para que Roriz, candidato a governador nas eleições de 2010, seja considerado inelegível segundo os critérios da referida Lei (que prevê inelegibilidade de 8 anos para candidatos que tenham renunciado a cargo público que ocupem para fugir de processo). Assim, o TRE não inscreveu a candidatura de Roriz durante as convenções partidárias. Roriz apresentou recurso desta decisão no TRE e no TSE, que foi rejeitado. Apelando para a instância máxima que é o STF, Roriz apresentou lá o recurso RE 630.147/DF, que resultou em impasse no STF, após duas longas sessões (a segunda durou mais de 10 horas) em que os ministros terminaram em empate (5 votando a favor do provimento do recurso e cinco contra, em defesa da apliação da Ficha Limpa). Diante da indecisão do STF, Roriz decidiu retirar o recurso (evitando que seja julgado contra ou ficar à espera de um julgamento favorável que poderia não chegar a tempo) e candidatou em seu lugar a esposa, Wilnéia Roriz, a menos de 9 dia das urnas do primeiro turno. Um dia antes da publicação deste post, em debate entre candidatos a governador, a nova candidata <em>leu </em>sua fala e confundiu até a hora em que era para responder ou perguntar.</p>
<p>Mas não estamos aqui para falar de política.</p>
<p>Um dos elementos debatidos tanto pelos advogados de Roriz quanto pelos Ministros que votaram a favor do provimento de seu recurso, é a alteração promovida no texto da LC 135/2010 quando esta tramitou no Senado, após aprovada pela Câmara. Ora, a discussão é que se a alteração modificasse apenas a forma, não haveria problema que essa não regresse à câmara e, assim siga diretamente para aprovação do presidente e entrada em vigor, como foi o caso. Porém, este procedimento é incorreto se a modificação altera o <em>mérito</em>, isto é, o próprio conteúdo do texto.</p>
<p>Pois um dos argumentos apresentados pela defesa de Roriz é que a alteração de tempos verbais que foi promovida no texto altera o mérito (em particular: altera o rol de candidatos que estariam sujeitos à apliação da LC) e deveria, portanto, necessariamente retornar à Câmara para nova e final aprovação.</p>
<p>Foi publicada no <a href="http://www.stf.jus.br/portal/cms/listarNoticiaUltima.asp" class="file asp">site de notícias do STF</a> a<a href="http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=162549"> íntegra do discurso do Ministro </a><strong><a href="http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=162549">Ricardo Lewandowski</a>,</strong> um dos ministros do STF que votou em favor da aplicação da Ficha Limpa e  é também presidente do TSE (a instância anterior que rejeito o recurso  de Roriz). Nela, discutem-se cada elemento alegado pelos advogados de  Roriz e em particular esse, que toca a própria interpretação do português. Trata-se de interessante arrazoado, que cito a seguir.</p>
<p>Espero que desfrutem esta discussão entre política, lingüística, filosofia e jurisprudência&#8230;</p>
<p>&#8220;(&#8230;)<br />
A aprovação do projeto pelo Senado, de fato, suscitou certa perplexidade por conta de uma emenda de redação proposta pelo Senador Francisco Dornelles (PP-RJ), acatada pelo Relator, Senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que alterou os tempos verbais em cinco situações. Em todos os casos, substituiu-se a construção “tenham sido condenados” pela expressão “que forem condenados”, nas alíneas e, h, j, l e n do art. 1º da LC 64/1990.</p>
<p>Para descobrir o sentido e o alcance dessa emenda de redação, é preciso fazer uma reflexão a respeito da técnica hermenêutica, pois não existe norma em si mesma considerada, senão aquela que é interpretada pelo aplicador do Direito.</p>
<p>O primeiro método de interpretação para compreender-se o significado de uma norma jurídica é o gramatical ou filológico. Nessa perspectiva, ao examinar a questão sob exame, Carlos Vogt, eminente Professor Titular de Linguística, área de semântica, da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, concluiu o seguinte:</p>
<p><span style="color: #808000;">“<span style="color: #333399;">(&#8230;)‘os que forem condenados’ é um enunciado de compreensão e não de extensão. Define, pelo predicado que enuncia, o universo compreensivo dos que nele se incluem pela qualidade de ‘ser condenado’, de maneira conceitual e, nesse sentido, intemporal. Não é um enunciado descritivo, isto é, não inclui por enumeração,  no conjunto dos ‘condenados’, os indivíduos que a ele pertencem, mas sim o faz por atribuição da qualidade enunciada no  predicado ‘ser condenado’. Daí a forma condicional de sua enunciação: em sendo condenado, a qualquer tempo, seja ontem, hoje, ou amanhã, o indivíduo pertence, por compreensão atributiva ao conjunto dos que são definidos pelo enunciado ‘os que forem condenados’ e, portanto, compreendidos pela abrangência da lei”.</span></span><br />
Já para o filólogo Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras – ABL, enquanto a expressão “tenham sido” é mais clara e aponta para uma só categoria, qual seja, a daqueles que já foram condenados no passado, a expressão “os que forem condenados” dá margem a duas interpretações:</p>
<p><span style="color: #333399;">“Uma dessas interpretações abrange só os que vierem a ser condenados. A outra, porém, abrange todos aqueles <span style="color: #333399;">na condição de condenados, o que, portanto, inclui os que já tiverem condenações. Do meu ponto de vista, essa segunda interpretação é a mais próxima do espírito inicial do projeto pensado na </span></span><span style="color: #333399;">sociedade. E eu escolho o que está mais próximo do espírito do projeto”</span></p>
<p>Entretanto, ainda que, segundo esse método, possam surgir duas interpretações, como lembra Karl Larenz na esteira de outros doutrinadores, a interpretação literal dos textos legais constitui apenas a primeira etapa do processo hermenêutico. Vicente Ráo, por sua vez, discorrendo acerca das técnicas de interpretação, aponta para os riscos decorrentes do apego ao sentido literal dos textos, com o abandono dos demais processos hermenêuticos, recordando uma velha regra do direito luso-brasileiro segundo a qual “deve-se evitar a supersticiosa observância da lei que, olhando só a letra dela, destrói a sua intenção”.</p>
<p>Ao ponderar quanto aos problemas da exegese literal, Carlos Maximiliano, por seu turno, ensina que, na hipótese de “antinomia entre os dois significados, prefira-se o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as interferências deduzíveis do contexto”. E acrescenta o referido jurista:</p>
<p><span style="color: #333399;">“Resulta imperfeita a obra legislativa; porque as Câmaras funcionam com intermitência, deliberam às pressas, e não atendem somente aos ditames da sabedoria (&#8230;). Daí resultam deslizes que se não corrigem, nem descobrem sequer, mediante o emprego do elemento gramatical: imprecisão dos termos, mau emprego dos tempos dos verbos (&#8230;)”.<br />
</span><br />
Não obstante essa assertiva, conforme esclareceu o Relator do projeto de lei, Senador Demóstenes Torres, em interpretação autêntica, o Senado introduziu no texto apenas uma emenda de redação, com o objetivo de uniformizar e harmonizar os tempos verbais utilizados nos vários dispositivos do projeto.  Nessa linha, assentou, conforme consta dos anais, que</p>
<p><span style="color: #333399;">“pode ser feita uma emenda de redação, para colocar só os que forem. Pode apresentar emenda de redação, que acolho, que isso aí é <strong>bem para a harmonização desse texto</strong>. E nós vamos colocar os que forem. Mas não há defeito nenhum. Isso, em direito, é assim mesmo. Várias leis falam ‘os que forem’ e várias leis falam ‘os que tenham sido’. Agora, na mesma lei, realmente é complicado”<br />
</span>(grifei).</p>
<p>Assim, por tratar-se de mera emenda de redação, forçoso é concluir que o texto não sofreu nenhuma modificação em seu sentido original, pois se tal fosse o caso, o projeto teria sido devolvido à Câmara dos Deputados.</p>
<p>O já citado Dalmo de Abreu Dallari, reforçando tal entendimento, relembra que alguns exemplos, calcados na legislação brasileira, deixam evidente que a flexão verbal “forem” tem sido frequentemente utilizada na linguagem jurídica para designar uma condição e não um lugar no tempo:<br />
<span style="color: #333399;"><br />
“(&#8230;) no Código Civil que vigorou desde 1916, no artigo 157, ficou estabelecida a possibilidade de separação de um casal por mútuo consentimento ‘se forem casados por mais de um ano’. E jamais se disse que isso valia apenas para os casamentos futuros. Mais tarde, quando se introduziu o divórcio no sistema jurídico brasileiro, a lei nº 6515, de 26 de dezembro de 1977, dispôs que poderia ser dada a separação judicial dos cônjuges ‘se forem casados há mais de dois anos’. E pelo artigo 49, parágrafo 6º, estabeleceu-se que o divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros, só será reconhecido no Brasil depois de três anos da data da sentença. E jamais se disse que essas disposições valiam apenas para os casamentos realizados depois da  vigência dessa lei ou para os que adquirissem a nacionalidade brasileira depois da nova lei. As expressões ‘forem casados’ e ‘forem brasileiros’ designavam, precisamente,  uma condição ou qualidade, nada tendo a ver com acontecimentos futuros. Acrescente-se, ainda, que o novo Código Civil brasileiro, de 2002, estipula, no artigo 1642, inciso VI, que tanto o marido quanto a mulher podem ‘praticar todos  os atos que não lhes forem vedados<br />
expressamente’. E ninguém, razoavelmente esclarecido, dirá que só estão proibidas as vedações estabelecidas por lei posterior a 2002. Quando a lei diz ‘forem vedados’ refere-se a estarem vedados, podendo a vedação estar prevista numa lei muito antiga”.</span></p>
<p>Desse modo, concluo que a expressão “os que forem condenados” não exclui do alcance da LC 135/2010 os candidatos já apenados, pois lei eleitoral nova que altere as causas de inelegibilidade – ampliando ou não seu gravame – aplica-se imediatamente.</p>
<p>Não se trata, pois, nessas hipóteses ou em outras contempladas na LC 135/2010, em especial aquela objeto de discussão nestes autos, a meu ver, de hipótese de retroatividade. Isso porque, por ocasião do registro, considerada a lei vigente naquele momento, é que são aferidas as condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade. São, portanto, levados em linha de conta, no momento oportuno, fato, ato ou decisão que acarretem a impossibilidade de o candidato obter o registro.</p>
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		</item>
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		<title>A tradução na caixinha do iPhone 4</title>
		<link>http://milanitraducao.com/2010/09/29/a-traducao-na-caixinha-do-iphone-4/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Sep 2010 17:17:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[notícias]]></category>
		<category><![CDATA[erros]]></category>
		<category><![CDATA[tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[O tão esperado iPhone 4, finalmente lançado no Brasil através da Claro, está dando um show de vexame em sua apresentação brasileira, com uma tradução que é simplesmente de arrepiar. A caixinha afirma que o aparelho possui (segurem-se): -&#8221;display de retina&#8221; -&#8221;câmera de 5 Megabytes&#8221; Duas perguntas: 1) Como é que a Claro pôde deixar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O tão esperado iPhone 4, finalmente lançado no Brasil através da Claro, está dando um show de vexame em sua apresentação brasileira, com uma tradução que é simplesmente de arrepiar.</p>
<p>A caixinha afirma que o aparelho possui (segurem-se):</p>
<p>-&#8221;display de retina&#8221;</p>
<p>-&#8221;câmera de 5 Megabytes&#8221;</p>
<p><img src="http://www.blogdoiphone.com/wp-content/uploads/2010/09/retinaumana.jpg" alt="Capa do Iphone 4 (Blog do IPhone)" width="600" height="451" /></p>
<p>Duas perguntas:</p>
<p>1) Como é que a Claro pôde deixar um erro desses ser lançado no mercado?</p>
<p>2) como é que a Apple não processa a Claro ou não exige que sejam recolhidas as caixas com estes erros crasse? Vale dizer que <a href="http://www.apple.com/br/iphone/specs.html">no site brasileiro da Apple</a> as informações estão corretas, ou seja, <strong>era só copiar!!</strong></p>
<p>O artigo e essa foto são provenientes do <a href="http://www.blogdoiphone.com/2010/09/humor-iphone-4-no-brasil-vem-com-tela-feita-de-retina-e-camera-de-5-mebabytes/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+blogdoiphone%2FDLRw+%28Blog+do+iPhone%29&amp;utm_content=Google+Reader">Blog do IPhone</a>. Leia mais nesse blogue.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Um erro de tradução precipita a queda do Euro</title>
		<link>http://milanitraducao.com/2010/06/06/um-erro-de-traducao-precipita-a-queda-do-euro/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 Jun 2010 18:20:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Milani</dc:creator>
				<category><![CDATA[notícias]]></category>
		<category><![CDATA[erros]]></category>
		<category><![CDATA[tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[Aqui está um bom exemplo do impacto, positivo ou negativo, que uma tradução pode acarretar. O primeiro ministro francês, M. François Fillon, falou em uma conferência de imprensa no Canadá que estava otimista com a &#8220;parité Euro X Dollar&#8221;. A imprensa anglo-saxã, traduziu apressadamente por &#8220;parity&#8221;, um falso amigo. &#8220;Parité&#8221;, em francês quer dizer câmbio, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aqui está um bom exemplo do impacto, positivo ou negativo, que uma tradução pode acarretar.</p>
<p>O primeiro ministro francês, M. François Fillon, falou em uma conferência de imprensa no Canadá que estava otimista com a &#8220;parité Euro X Dollar&#8221;. A imprensa anglo-saxã, traduziu apressadamente por &#8220;parity&#8221;, um falso amigo.</p>
<p>&#8220;Parité&#8221;, em francês quer dizer <em>câmbio,</em> isto é, quantos dollares é preciso para comprar um Euro. O ministro certamente queria dizer que não estava alarmado com o câmbio atual (apesar do contexto atual de desvalorização da moeda européia). O objetivo era tranquilizar.</p>
<p>Mas em inglês, &#8220;parity&#8221;, embora pareça muito semelhante, quer mesmo dizer igualdade. Conclusão, todos entenderam que ele não considerava ruim que um dollar possa valer, qualquer dia desses (que haja visto a crise, pode não tardar a chegar), um Euro. Ora, é o que todo mundo teme hoje.</p>
<p>Embora o governo francês tenha tentado esclarecer o que o ministro queria dizer, quando percebeu o erro de interpretação, o mal já estava feito e os investidores, com medo desta previsão, venderam Euro adoidado, precipitando sua cotação. Um simples erro de tradução conseguiu gerar medo e desconfiança e pressionou investidores a se desfazerem da moeda, o que trouxe impacto negativo em sua cotação.</p>
<p><a href="http://www.latribune.fr/actualites/economie/international/20100604trib000516453/l-euro-degringole-victime-d-un-faux-ami.html">Este artigo</a> do La Tribune (em francês) conta tudo.</p>
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